Projetos de Pesquisa

Projetos em andamento

  • PNPD Pesca, meio-ambiente e turismo: estudo sócio-antropológico (2008 – 2012)
    Responsável: Carmen Rial

O projeto “Pesca, meio-ambiente e turismo: estudo sócio-antropológico” propõe aprofundar a perspectiva da articulação entre território, trabalho, memória e imaginário, com ênfase na questão da mobilidade social em comunidades pesqueiras e sua relação com as práticas de turismo, através de um atravessamento temático entre a dimensão cultural do trabalho, a comunicação, o consumo, o poder, a antropologia urbana e as praticas criadoras de identidade. Pretende-se, desta forma, desenvolver um estudo sobre essas populações partir das questões que foram explicitadas, envolvendo a atividade pesqueira e as relações que ela estabelece com outras esferas da vida social e cultural, como sustentabilidade, meio ambiente, políticas de preservação sócio-ambiental e de desenvolvimento econômico, modo de vida e saberes tradicionais, conflitos e formas de mobilização social. A utilização de oficinas e a produção visual tem como objetivos específicos seguintes procedimentos: 1) Analisar, através de literaturas e interação com especialistas, aspectos éticos e estéticos envolvidos na fotografia e cinematografia antropológica desempenhada nos estudos do campo da etnoecologia; 2) Desenvolver, a partir dos resultados audiovisuais, material de educação ambiental e divulgação científica destinado aos acervos públicos, às escolas, ao turismo, aos contadores de histórias e ao público geral sobre a pesca artesanal do litoral paranaense, particularmente a pesca da tainha por meio do arrastão de praia; 3) Realizar registros fotográficos e cinematográficos do ambiente e da prática pesqueira; 4) Promover interação entre Universidade e comunidades pesqueiras tradicionais com eixo em metodologia audiovisuais

  • Circulação Transnacional de Jogadores de Futebol Brasileiros (2009 -2012)
    Responsável: Carmen Rial

PQ 10/2008 O projeto trata da trajetória de jogadores de futebol com carreiras bem sucedidas, procurando entender as implicações culturais, políticas e econômicas de sua modalidade de emigração. A partir de estudo etnográfico, busca-se compreender as transformações do seu dia-dia assim como mudanças no seu consumo, estilo de vida e identidade decorrentes da experiência da emigração. Consumo e alimentação serão analisados nas suas relações com identidades étnicas, nacionais e de gênero. As categorias de fronteira e de emigrante serão colocadas em questão, uma vez que os fluxos de especialistas laborais (como o desses jogadores), que transitam entre países e instituições de trabalho em uma constante circulação, redefinem o que sejam fronteiras, estas passando a se constituírem nas instituições de trabalho mais do que com os limites físicos entre os países. O uso de instrumentos audiovisuais na pesquisa etnográfica será objeto de reflexão desse projeto.

  • As mulheres Pescadoras em SC : estudo antropológico sobre as figurações locais, a memória coletiva, e a transição a agricultura para o turismo como trabalho acessório e a dinamicidade do modo de vida em comunidades pesqueiras de SC /CNPQ
    Responsável: Carmen Rial

O presente projeto está inserido na temática de estudos sócio-antropológicos sobre comunidades pesqueiras e suas práticas de trabalho, enquadrando-se nos múltiplos esforços que estão sendo realizados por parte de órgãos governamentais e grupos de pesquisa vinculados a diversas áreas do conhecimento para o reconhecimento e o mapeamento do trabalho das mulheres trabalhadoras na pesca. O processo de industrialização e urbanização no Brasil nas regiões costeiras vem desencadeando uma serie de transformações e impactos sociais e ambientais, destacando-se a especulação imobiliária, as atividades portuárias e a pesca predatória, implicando, por um lado em processos de exclusão social das populações que viviam nestas áreas, dependendo de seus recursos naturais, e, por outro, na adoção de práticas e estratégias de sobrevivência nas quais esses grupos mantêm sua herança cultural frente a injunções de mudança. Nas Ciências Sociais, sobretudo na antropologia, destaca-se a análise relativa às mudanças sociais em comunidades litorâneas brasileiras com um olhar voltado para suas praticas sócio-culturais. Mesmo com um amplo panorama de atuação da mulher no setor pesqueiro é possível identificar uma certa invisibilidade com relação ao trabalho por ela desenvolvido. Parte desta invisibilidade pode se percebido através dos meios de comunicação, das referências turísticas, e mesmo das pesquisas acadêmicas. E neste sentido, este projeto procura refletir sobre este cenário através de pesquisa realizada entre mulheres na região litorânea catarinense. Neste sentido o projeto aqui apresentado visa refletir sobre uma situação cotidiana na região, que é a atuação da mulheres no trabalho de pesca e coleta de frutos do mar, porém, pouco valorizada ou considerada enquanto profissão, cabendo ao homem a definição pescador. Neste sentido, torna-se importante conhecer este cenário através das mulheres, bem como suas necessidades e principais demandas enquanto mulheres trabalhadoras da pesca.

  • Memória ambiental – estudo antropológico de itinerários urbanos em áreas úmidas
    Responsável: Rafael Devos

As áreas úmidas e a urbanização tem uma relação especial em um país como o Brasil, com uma das maiores, senão a maior abundância de água doce do planeta. Historicamente, as cidades brasileiras viveram processos de urbanização e saneamento envolvendo grandes obras de canalização de cursos de água, aterramento de banhados e regiões litorâneas e a criação de regiões altamente valorizadas economicamente onde a ocupação urbana alternava-se com a presença de “vazios” de água, solo alagadiço e mato. O contraponto deste processo é a ocupação irregular de mangues, deltas e várzeas, nas áreas não urbanizadas pelo poder público. Contemporaneamente, tais áreas úmidas passaram a ter grande importância no planejamento urbano sob uma perspectiva ambiental, enquanto espaço público, patrimônio ambiental, reserva ambiental, área de lazer, para além dos usos residenciais ou comerciais. Os projetos e embates sobre os usos dessas áreas são conflitos ambientais contemporâneos que atualizam na memória das cidades os significados das várzeas, das baixadas, dos banhados, das orlas, das lagoas, de territórios urbanos marcados pela presença da água e seus usos diferenciados nas práticas cotidianas. A urbanização destas áreas marca rupturas com estilos de vida e modos de ocupação diferenciados, que estão ligados a outras formas de uso do espaço comum e a manifestações culturais diversas, na medida em que a dinâmica hídrica de bacias hidrográficas relaciona diferentes territórios urbanos, ligados pelas águas e pelos itinerários de diferentes grupos sociais. O objeto de estudo deste projeto se constitui na revisão do processo de urbanização sob a ótica ambiental, seus desdobramentos na memória coletiva, nos atuais sentimentos de pertencimento dos habitantes das chamadas áreas úmidas urbanas e nos projetos sociais voltados para os usos de tais áreas entre o urbano e o “natural”, refletindo sobre o lugar da categoria de patrimônio ambiental na memória das transformações urbanas. O ponto de partida para a delimitação de um universo de pesquisa segue uma metodologia de pesquisa desenvolvida em projetos anteriores : a eleição de um ambiente (bacia hidrográfica, praia, lagoa, orla, etc) e seu entorno como universo que reúne atores locais e globais, dinâmicas sociais e ambientais, conforme propõe Little (2006). A pesquisa sobre a memória ambiental é a chave interpretativa escolhida para uma investigação da construção de uma realidade socioambiental contemporânea, refletindo sobre a memória ambiental de cidades como Porto Alegre/RS e Florianópolis/SC.