Entre toneladas de lixo e arte – Por Larissa Usanovich

Autora: Larissa Usanovich, graduanda em Ciências Sociais

Todos os dias são produzidas 600 toneladas de lixo em Florianópolis. Todos esses resíduos são recolhidos e tratados pela Comcap (Autarquia de Melhoramentos da Capital), tendo sua sede principal no bairro do Itacorubi. O conceito de lixo que o
Google nos traz diz que a palavra corresponde a tudo aquilo que é originado em trabalhos domésticos ou industriais e que, por não ter mais utilidade, é jogado fora. O principal problema deste quadro é o fato de que não existe “fora”. Tudo terá de se
transformar.

Num contexto de consumismo exacerbado e no ritmo de vida do século XXI, mesmo sendo difícil, é necessário refletir sobre a quantidade de resíduos que descartamos e quais são os seus destinos. As fotos aqui mostradas têm o intuito de trazer uma visualização e reflexão sobre essa questão e, principalmente, mostrar como a arte pode surgir daquilo que muitas vezes fica sem significado e/ou utilidade.

Valdinei Marques, conhecido popularmente por Nei ou Neiciclagem, é um dos principais responsáveis pela criação e gestão do Museu do Lixo, localizado na mesma sede. Lá estão as obras de arte que concretizam sua imaginação e que são feitas com material oriundo dos descartes da população. Em cada canto deste Museu é possível enxergar e refletir sobre mudanças no valor cultural dos objetos com o decorrer dos anos. Coisas antes vistas até como luxuosas hoje são descartadas por uma suposta
inutilidade. Essas fotos também são um registro desse contraste. Elas também são um lembrete sobre nossa responsabilidade com a separação correta do lixo que produzimos para que trabalhos como o do artista citado sejam possíveis e facilitados.